Clube da leitura 16 - Outlander | O resgate no mar.

  


      A seguir vocês podem conferir um pequeno trecho da leitura da semana, Capitulo 40 de Outlander, O resgate no mar de Diana Gabaldon. 

Compre seus livros de Outlander com desconto aqui: 

📚 Lojinha de Outlander:

•Compre por aqui os livros da saga Outlander: https://bit.ly/3gw1QaM
•Compre por aqui o seu exemplar Clanlands: https://bit.ly/3v5SplX 📲 | Compre seu Kindle com iluminação embutida https://bit.ly/3oEyngR

Assista ao vídeo aqui:

 https://youtu.be/f5yu7evO-OQ

Claire e jamie o resgate no mar - Clube da Litura Outlander
Jamie e claire Outlander - livro 3 o resgate no mar


 

 De manhã, Jamie e o sr. Willoughby saíram com Jared, para finalizar as providências. Eu tinha outra providência a tomar — uma que eu preferia fazer sozinha. Há vinte anos, houve duas pessoas em Paris que eu considerava profundamente. Mestre Raymond fora embora; morto ou desaparecido. As chances de que a outra ainda estivesse viva eram mínimas, mas ainda assim eu tinha que verificar, antes de deixar a Europa talvez pela última vez. Com o coração descompassado, entrei na carruagem de Jared e disse ao cocheiro para me levar ao Hôpital des Anges.

 A sepultura estava no pequeno cemitério reservado ao convento, sob os arcos de suporte da catedral ao lado. Embora o ar vindo do Sena fosse úmido e frio, e o dia estivesse nublado, o emitério cercado de muros mantinha uma luz suave, refletida dos blocos de pedra calcária lara que protegiam o pequeno terreno dos ventos. No inverno, não havia flores ou plantas, penas álamos e lariços sem folhas espalhavam arabescos contra o céu, e um musgo verde-escuro envolvia as lápides, florescendo apesar do frio.
Era uma lápide pequena, feita de um suave mármore branco. Um par de asas de querubim abria-se no topo, protegendo a palavra solitária que era a única decoração da lápide além das asas. “Faith”, lia-se.
Fiquei parada, fitando-a, até meus olhos embaçarem. Eu levara uma flor; uma tulipa cor-de-rosa — não era a coisa mais fácil de achar em Paris em dezembro, mas Jared mantinha uma estufa. Ajoelhei-me e depositei-a sobre a pedra, acariciando a suave curva da pétala com o dedo, como se fosse o rostinho de um bebê.
— Achei que não iria chorar — eu disse, algum tempo depois.
Senti o peso da mão de madre Hildegard em minha cabeça.
— Le Bon Dieu sabe o que faz — disse ela brandamente. — Mas Ele raramente nos diz por quê.
Respirei fundo e limpei as faces com a ponta do meu manto.
— Mas já faz muito tempo. — Levantei-me devagar e virei-me, encontrando madre Hildegard me observando com uma expressão de profunda simpatia e interesse.
— Eu notei — disse ela devagar — que o tempo não existe realmente para as mães, em relação a seus filhos. Não importa muito a idade do filho, num piscar de olhos a mãe pode ver a criança outra vez como era quando nasceu, quando aprendeu a andar, como era em qualquer idade e em qualquer época, mesmo quando a criança já se tornou um adulto e ela própria já tem filhos.
— Especialmente quando estão dormindo — disse, abaixando o olhar outra vez para a pequena lápide. — Sempre se pode ver o bebê dormindo.
— Ah. — A madre balançou a cabeça, satisfeita. — Achei que tivesse tido mais filhos; de alguma forma, você tem a aparência.
— Mais uma. — Olhei para ela. — E como você sabe tanto sobre mães e filhos?
Os pequeninos olhos negros brilharam astutamente sob a pesada região das sobrancelhas, cujos pelos dispersos haviam ficado completamente brancos.
— Os velhos precisam de muito pouco sono — disse ela, dando de ombros, como se não fosse nada de importante. — Eu ando pelas enfermarias à noite, às vezes. Os pacientes conversam comigo.
Ela encolhera um pouco com a idade avançada e os ombros largos estavam ligeiramente arqueados, finos como um cabide de arame sob a sarja preta de seu hábito.
Mesmo assim, ainda era mais alta do que eu e elevava-se acima da maioria das freiras, à semelhança de um espantalho, mas sempre imponente. Carregava uma bengala, mas andava aprumada, a passos largos e firmes, e tinha o mesmo olhar penetrante, usava a bengala mais para cutucar os indolentes ou subalternos diretos do que para se apoiar.
Assoei o nariz e voltamos pelo caminho que levava ao convento. Conforme retornávamos devagar, notei outras lápides pequenas espalhadas aqui e ali entre as maiores.
— São todas de crianças? — perguntei, um pouco surpresa.
— Os filhos das freiras — disse ela sem afetação. Fiquei boquiaberta de surpresa e ela encolheu os ombros, elegante e irônica como sempre. — Acontece — disse ela. Deu alguns passos à frente, depois acrescentou: — Nem sempre, é claro. — Fez um gesto com a bengala abarcando os limites do cemitério. — Este lugar é reservado para as irmãs, alguns benfeitores do Hôpital… e seus entes queridos.
— Das irmãs ou dos benfeitores?
— Das irmãs. Ei, seu tolo!
Madre Hildegard parou ao ver um servente do hospital preguiçosamente encostado na parede da igreja, fumando cachimbo. Enquanto lhe passava uma descompostura no elegantemente feroz francês palaciano de sua infância, deixei-me ficar para trás, olhando à volta do minúsculo cemitério.
Perto do muro dos fundos, mas ainda em solo sagrado, via-se uma fileira de pequenas tabuletas de pedra, cada qual com um único nome, “Bouton”. Abaixo de cada nome havia um algarismo romano, de I a XV. Os queridos cachorros de madre Hildegard. Lancei um olhar ao seu companheiro atual, o décimo sexto a carregar aquele nome. Este era preto como carvão e de pelo cacheado como uma ovelha persa. Estava sentado aos seus pés, alerta, os olhos redondos fixos no servente faltoso, um eco silencioso da desaprovação feita às claras de madre Hildegard.
As irmãs, e seus entes queridos.
Madre Hildegard voltou, a expressão feroz alterando-se imediatamente para o sorriso que transformava suas feições fortes de gárgula em beleza.
— Estou tão contente que tenha voltado, ma chère — disse ela. — Venha, vamos entrar; tenho algumas coisas que poderão lhe ser úteis na viagem. — Enfiando a bengala na curva do braço, tomou meu braço como suporte, agarrando-o com a mão ossuda e quente, cuja pele tornara-se fina como um papel. Tive a estranha sensação de que não era eu quem a estava sustentando, mas o contrário.
Quando entramos no pequeno beco de teixos que levava à entrada do Hôpital, olhei para ela.
— Espero que não me considere rude, madre — disse, hesitante —, mas há uma pergunta que eu queria lhe fazer…
— Oitenta e três — respondeu ela prontamente. Abriu um largo sorriso, exibindo os dentes longos e amarelos como os de um cavalo. — Todos querem saber — disse complacentemente. Olhou para trás por cima do ombro, na direção do pequeno cemitério, e ergueu um dos ombros num gesto gaulês de quem afasta um pensamento. — Ainda não — disse ela, com confiança. — Le Bon Dieu sabe quanto trabalho ainda há para ser feito.

  Espero que tenham gostado, até o próximo post.

Beijinhos...




Pin It

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por deixar seu comentário, em breve irei responder com muito carinho! Se você tiver um blog deixe o link para que eu possa retribuir a visita. Sem Spam, por favorzinho...
Beijinhos!